domingo, 14 de setembro de 2008

A Web e suas versões


É interessante analisarmos as transformações da Web desde quando ela chegou ao Brasil até os dias atuais. É possível perceber estas mudanças mesmo dentro de nossa própria casa. Minha família, por exemplo, adquiriu um computador pela primeira vez em 1998, quando eu começava o primeiro ano do segundo grau. Era importante para fazer trabalhos escolares, pesquisas na Internet (que nesta época era discada e de provedor pago), imprimir conteúdos.

Hoje, dez anos depois, temos quatro computadores, internet banda larga, e quatro pessoas em casa familiarizadas com as ferramentas online, cada qual no seu nível de familiaridade. Este exemplo foi para mostrar que não apenas a Web atualizou-se em pouco mais de dez anos de existência no Brasil. Os usuários de computadores de dez anos atrás também evoluíram, e, principalmente, para tornarem-se usuários de Internet.

Para início de conversa, as diferenças entre as chamadas Web 1.0 e 2.0 não existiriam sem o desenvolvimento tecnológico e de ferramentas indispensáveis. O barateamento do serviço de banda larga possibilitou a transição das conexões dial-up para uma Internet de mais fôlego. Isso foi essencial para que pudéssemos incluir os produtos da Web 2.0 no dia-a-dia da maior parte dos internautas.

No que diz respeito às diferentes versões, pode-se dizer que a primeira fase da Internet é classificada como estática, enquanto a nova fase possui um dinamismo cujo centro é o internauta, através da produção do chamado conteúdo colaborativo. Mas por que razão uma é estática e outra dinâmica?

Não creio que Web 1.0 e Web 2.0 sejam apenas diferentes fases de uma mesma evolução. É possível dizer que elas podem coexistir, porque encontramos hoje exemplos de cada uma delas. Por exemplo: ao buscar URLs que possuam a palavra-chave “Machado+de+Assis”. O primeiro resultado da busca remete para o Wikipedia, que contém informações sobre vida e obra do escritor brasileiro. O segundo resultado aponta para o site Releituras.com, que possui conteúdo semelhante ao do primeiro resultado.

A diferença está nas possibilidades que cada opção oferece. Na Wikipedia, que é uma enciclopédia online colaborativa, é possível, além de visualizar o material que eu estava buscando, é possível interagir com este conteúdo através de opções como discussão de tópico, edição de texto, acesso a links relacionados, etc. Isso implica que eu possa ter um cadastro na Wikipedia e que possa ter co-autoria nesse conteúdo através da minha participação.

Em síntese, este é o princípio da Web 2.0, enquanto na versão 1.0, não há indicação de interatividade com o conteúdo. Ou seja, eu poderia apenas consumir a informação que ali estava disponível, sem que, no entanto, pudesse eu mesma produzir informação a respeito. Há milhares de exemplos de conteúdo colaborativo, como blogs, redes sociais e outros espaços de produção do internauta (comentários de notícias, ferramentas publicadoras de conteúdo multimídia, entre outros). No entanto, resquícios da Web 1.0 não deixam de existir e somar à rede um banco de dados estático de informação.

A tendência atual parece ser de que a informação estática perca espaço ao longo do tempo, e cada vez mais a Internet se caracterize por um espaço público, colaborativo, interativo, dinâmico. Um exemplo disso é a própria supremacia do Google, quando cria ferramentas online para que possamos buscar/criar conteúdos de nosso interesse utilizando suas ferramentas como plataforma. Nomenclaturas à parte, o que vemos é a própria ampliação progressiva das redes.

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